Como identificar se o problema é mecânico ou eletroeletrônico, o que devemos fazer ?

Mostraremos, em detalhes a utilização de diferentes equipamentos e testes específicos para identificar o componente ou sistema que originou a falha. Utilizando-se de exemplos práticos, apresentaremos uma sequência lógica de testes que irão evitar desmontagem desnecessárias e, desta forma, acelerar o processo de diagnóstico.

1- Que caminho seguir ?

Antes de iniciar o diagnóstico é fundamental falar com o cliente acerca do problema do veículo, já que ele em muitas ocasiões tem a solução do problema em sua boca.

Primeiramente, desenvolva o plano de ação no qual colocará todos os componentes que fazem parte do sistema suspeito, assim você fará os teste necessários para cada problema ou falha crítica, nunca esquecer ou negligenciar os testes básicos como pressão de combustível ou compressão do motor, que são tão importantes como as análises avançadas. Não se esqueça de ter em mãos as especificações reais oriundas de fontes confiáveis, jamais use valores generalizados. Vale lembrar ao amigo reparador que problemas mecânicos afetam e muito o funcionamento dos sistemas eletrônicos, podendo confundir o técnico na determinação da causa da falha.

2- Análise de problemas de origem mecânica

A maioria dos motores de combustão interna funciona com base em um ciclo de 4 tempos, cujo princípio é o ciclo termodinâmico Otto (motores movidos a gasolina, etanol ou GNV) e o ciclo termodinâmico Diesel (motores movidos a óleo Diesel). Portanto, sua eficiência é baseada na variação de temperatura tanto no processo de compressão adiabática (não há troca de calor com o meio de externo), quanto no processo de admissão da massa ar + combuustível (ciclo Otto) ou somente ar (ciclo Diesel) com pressão constante.

Em outras palavras, para o motor de combustão interna trabalhar com eficiência ele deve estar com seus componentes móveis e fixos (válvulas, junta do cabeçote, dentre outros) em perfeito funcionamento 

2.1- Teste de compressão relativa

É um teste muito fácil de realizar, além de ser rápido e conclusivo. Consiste, basicamente, na análise da queda de tensão da bateria no momento da partida, causada pelo consumo de corrente do motor de partida ao movimentar o motor do veículo. Este consumo depende dentre outras coisas da qualidade da vedação de cada cilindro, ou seja, quanto melhor a vedação, ou o estado dos componentes mecânicos do motor, maior o consumo de corrente utilizada pelo motor de partida que se refletirá numa maior queda de tensão medido nos bornes da bateria.

Para realizá-lo o técnico automotivo deve estar de posse de um osciloscópio que faça a leitura de tensão alternada (acoplamento AC). Para capturar o sinal, basta inserir as pontas de prova nos bornes positivo e negativo da bateria.

Deve desconectar algum componente eletrônico vital para o funcionamento do motor (sensor de rotação, bicos injetores, rotação e fase, dentre outros) para o mesmo não entrar em funcionamento e, finalmente, escolher os valores adequados de tensão e tempo na tela do osciloscópio, para enquadramento vertical e horizontal do sinal respectivamente.

2.2- Teste com transdutor de pressão na partida

No início da matéria apresentei os quatro tempos do motor e, dentre estes, o tempo de admissão, que tem a função de admitir a mistura ar/combustível para os motores ciclo Otto e apenas ar para os motores ciclo Diesel. É neste tempo que a pressão dentro do motor fica abaixo da pressão atmosférica, em motores aspirados, devido à descida do pistão que sai do ponto morto superior (PMS) para o ponto morto inferior (PMI). A análise do vácuo gerado devido a esse movimento é tão importante quanto a pressão de compressão.

Desta forma, utilizando um transdutor de pressão, que consiste, basicamente, de uma pastilha piezoelétrica que transforma variações de pressão em sinais elétricos instalado no coletor de admissão, podemos, facilmente, verificar o vácuo que cada cilindro está gerando nno momento da admissão. Este teste pode ser realizado em dois regimes de funcionamento do motor: na partida ou em marcha lenta. Para esta matéria vamos iniciar mostrando o teste na partida. 

Para realizar este teste, o reparador deve inserir o transdutor de pressão no coletor de admissão.

Desligar algum componente eletroeletrônico vital, para não permitir seu funcionamento (sensor de rotação, fase, bicos injetores, dentre outros). Escolher os valores de tensão e tempo de enquadramento vertical e horizontal do sinal na tela do osciloscópio e dar partida no motor.

Observe, amigo reparador, que o vácuo gerado individualmente por cada cilindro, mostra que todos os cilindros estão com o valor de vácuo semelhantes, indicando que os componentes mecânicos estão em bom estado de funcionamento.

Amigos reparadores, com esses exemplos procurei apresentá-los a essa fantástica ferramenta quase um exame de ”raio-x” decifrando as falhas quase invisíveis aos olhos menos atentos. 

Fonte: Oficina Brasil

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