Diagnóstico com Scanner vai além do uso do equipamento, é preciso saber interpretar. Parte 4

Tensão da Bateria ? Nem sempre!

Como o título acima sugere, nem sempre este parâmetro nos dará a tensão da bateria e/ou estado deste componente. Com o carro desligado, quem supre toda a demanda elétrica no automóvel é a bateria, mas quando damos a partida quem supre a energia para o veículo agora é o alternador. Ora, a maioria dos testes que realizamos e análises são executados com o veículo em funcionamento. Talvez seja essa a grande confusão que muitos fazem ao ler este parâmetro no scanner porque quando o motor está funcionando, seja ele em marcha lenta ou aceleração ou desaceleração, o que analisamos é o sistema de carga do veículo e alimentação daquele Módulo de Controle eletrônico!

Engana-se quem acha que sistemas de carga se resumem ao alternador, cabos, bateria. Com tanta demanda tecnológica nos veículos atuis, vemos alternadores inteligentes que se comunicam com uma Unidadede Controle da injeção ou sensores especiais que monitoram o estado de carga e temperatura da bateria.

Checando as Tensões no Veículo

Ao se deparar com o determinado valor de ”tensão da bateria” no scanner, recomendamos que o reparador verifique a tensão que sai do alternador e a tensão que chega à bateria utilizando-se de um voltímetro ou osciloscópio. Se os valores coincidem ou apresentam valores bem próximos ao lido no scanner, não temos um problema. Todavia se temos valores discrepantes entre alternador>bateria>leitura do scanner, devemos dar uma atenção especial do sistema elétrico do veículo. Terminais de bateria aquecidos ou com o zinabre, conexões de fusíveis escuras ou fusíveis com a parte plástica deformada por aquecimento nos  mostram visualmente que há resistências elétricas no circuito e por consequência temos quedas de tensão. Estas panes deverão ser sanadas.

Um caso comum de zinabre nos bornes de bateria. O zinabre é um produto corrosivo de cor azul esverdeada, formado pela reação química de componentes internos da bateria, metais da conexão elétrica do borne e o oxigênio. Sua presença impede a livre circulação dos elétrons no circuito e traz prejuízos tanto para bateria como aos componentes eletroeletrônicos do veículo.

Um exemplo de fusível que sofreu sobrecorrente ou uma má conexão, criando certa resistividade. Como toda resistência aquece-se ao ser submetida a uma corrente elétrica, chegou a derreter parte do fusível. Em situações como esta,  deverá ser consultado em literatura técnica o correto valor em amperes do fusível, se algum componente deste circuito está com um consumo elevado de corrente elétrica e a substituição dos itens afetados.

Analisando os parâmetros da foto, parece que temos apenas um problema no parâmetro da pressão do coletor por estar fora do range e ter sua escala em vermelho.

Porém, ao analisar graficamente nossa ”tensão da bateria” percebe-se muita flutuação na leitura de tensão no scanner. Mesmo o alternador gerando um valor fixo 14.1Volts, tínhamos leituras que variavam ao acionar alguns consumidores elétricos, como os faróis. Após reparo nos cabos de alimentação e bornes de bateria, obtivemos um valor fixo de 13,9 Volts no scanner.

A imperícia de um instalador de acessórios automotivos ocasionou a pane em um ABS: o instalador, em busca de fios que alimentassem positivamente os acessórios a serem instalados, cortou o fio que saia da caixa de fusíveis e alimentava o módulo do ABS.

A emenda malfeita, sem solda estanho e com a fita isolante já se desprendendo dos fios, ocasionou uma queda de tensão considerável em um sistema de grande importância daquele veículo. Após as correções elétricas, tivemos uma tensão lida no scanner próxima à tensão lida nos bornes de bateria com um voltímetro.

Fonte: Oficina Brasil

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