Sistemas de Transmissões Automatizados: Peculiaridades e Paradigmas Decifrados

No ano de 1894, os franceses Louis-René Panhard e Emile Levassor inventaram a primeira transmissão automática de velocidades.  Entretanto, quem a implementou em um veículo motorizado foi o Americano Thomas J. Sturtevant, de Boston, em meados de 1904. A invenção do primeiro carro automático é mais revolucionária do que o resultado de uma única invenção, que integra a invenção francesa. 

Sturtevant projetou o Tourer Automático 1904, que contou com um motor de combustão interna, a caixa de velocidades semiautomática de 03 velocidades, lubrificação automática e freios com funcionamento a vácuo. 


TRANSMISSÃO MANUAL

A Tendência Tecnológica que mais resistiu ao tempo, e seu rigoroso processo de transição 

O mais popular e famoso tipo de transmissão de marchas ainda é o manual, e este imperou em nosso país durante décadas, competindo apenas com o “desconhecido” e “duvidoso” câmbio automático, que apesar de tudo despertava o interesse de todos sobre seu funcionamento, mas que, porém, possuía qualidade duvidosa entre os proprietários da época. Apesar de haver um tempo em que Tecnologia Automotiva confiável era sinônimo de engenharia puramente mecânica, sendo as demais tendências meras coadjuvantes de um sistema em evolução.

Entretanto, nos dias atuais nos deparamos com teorias totalmente inversas, quanto mais Eletrônica Embarcada um veículo possuir, mais notável torna seu nível tecnológico e justifica o valor a ser empregado em suas aquisições, uma vez que vivemos em um mundo onde novas tendências surgem e encantam os clientes. 

Câmbio Manual utilizado pelos veículos
Ao contrário do que acontecia há décadas atrás, atualmente o conceito de dirigir um veículo automático mudou muito e para melhor, já que isso significa status, conforto e um acompanhamento gradativo das tendências. E foi o que aconteceu, ou seja, a evolução tecnológica evolui e hoje proporciona, através de componentes eletrônicos, suavidade na transição de torque e controle das sequências das marchas. É um tipo de câmbio para quem deseja conforto ao volante. 

Câmbios automatizados implementados nos veículos
Um câmbio automatizado proporciona liberdade de escolha ao motorista sobre qual marcha deseja utilizar, o modo automático ou esportivo de condução, dando mais versatilidade à viagem. Entre as semelhança com o câmbio manual, está a maior durabilidade, custo com manutenção e reposição de componentes. E se você prefere autos de luxo, então vai ficar feliz em saber que já existe a alternativa de câmbio automatizado de dupla embreagem. Esta opção não conta com desvantagens em relação ao sistema automatizado convencional, mas sim, oferece trocas suaves e sem interrupção das marcha e respectiva potência, e o mesmo ou maior desempenho na aceleração e velocidade máxima. E você ainda tem mais o adicional de poder utilizar o modo manual por meio de comandos sequenciais no câmbio ou volante.

Existe ainda um tipo de tendência a ser implementada, porém ainda menos difundida, trata-se da “Continuamente Variável”, que adota polias ao invés de engrenagens, não possuindo esse sistema um limitador de marchas, sendo aproveitada ao máximo a produtividade do torque. Mas esse assunto fica para outra ocasião.

Os câmbios automatizados, cujo significado baseia-se na transmissão manual convencional, porém acoplada a um sistema robotizado de mudanças, surgiram no Brasil em meados de 2007, sendo, primeiramente, implantada nos veículos GM Meriva, tratada como Easytronic, e fabricada pela “Schaeffler”.

Câmbio automatizado baseado em Sistema Easytronic
A Fiat, preocupando-se em permanecer evidente no mercado, não perdeu tempo, e equipou alguns de seus veículos com tal tecnologia, fabricada pela Magneti Marelli e chamada de “Duallogic”. 

A Engenharia Alemã da Volkswagen se juntou aos engenheiros da Porsche em Sttutgart, seguiu as tendências inovadoras apresentadas pela GM e Fiat, porém foi mais cautelosa no projeto, e o mesmo somente emergiu em 2009, através do tão aguardado Polo I-MOTION, com sistema também sob responsabilidade da Magneti Marelli. 

Sistema robotizado baseado em Sistema Dualogic

Sistema robotizado utilizado em câmbio i-Motion
Apesar de completar mais de 5 anos de existência no mercado nacional, tais tecnologias ainda causam certa desconfiança, até mesmo em proprietários sem grandes conhecimentos na área, em relação à real qualidade e robustez do sistema, e dessa forma as vendas de veículos equipados com câmbios automatizados tardam a “deslanchar”.

A Fiat, preocupada, com o índice aproximado e preocupante de apenas 7% de veículos munidos de sistemas “Dualogics”, foi ousada e estendeu a aplicação do sistema robotizado  aos veículos Bravo, Línea, Palio, Grand Siena, Idea, Strada Adventure e Punto, talvez com a ideia de promover aos seus clientes o que o mercado varejista chama de “Venda Casada”, ou seja, a comercialização de veículos de qualidades inquestionáveis, porém equipados com o novo sistema de transmissão, condicionando seu público-alvo a utilizá-lo, aprovar e disseminar suas boas impressões sobre o novo sistema, inclusive aos mais descrentes. Entretanto, devido nossas condições econômicas atuais, somente os clientes de bom poder aquisitivo estão apostando seus recursos em uma tecnologia ainda questionada pela maioria, e isso é justificado pelo fato que 60% dos veículos comercializados possuem o sistema Dualogic, mais especificamente o Bravo e o Línea, modelos da “Matriz Italiana” de maior custo no Brasil. Quanto à linha popular da marca, como o Palio Fire e o Novo Uno, estes permanecem isentos da nova tecnologia, talvez visando a manter a originalidade, preços mais acessíveis, além de evitar possíveis argumentos por parte dos clientes  em relação ao novo sistema.

Sistema de Câmbio PowerShift
No caso da Volkswagen, veículos como Fox, Cross Fox, Space Fox, o próprio Polo, e até mesmo o Gol e o Voyage foram equipados com sistemas i-Motion. Entretanto, a demanda de produção de tais veículos não deve ultrapassar índices de 3% a 4% neste ano. 

Montadoras como Citroën, Peugeot, Ford, Renault e Hyundai, entre outras, escolheram pelo mantenimento dos câmbios automáticos, porém tradicionais, talvez por cautela, baseando-se nos resultados das três Montadoras acima. Entretanto, a própria Ford resolveu caminhar “lado-a lado”, mesmo que “discretamente”, e fabricou alguns modelos com transmissão automatizada munidas de dupla embreagem, chamadas de PowerShift. 

O aprimoramento dos sistemas tornou-se contínuo e intenso, afinal de contas, “melhorar” uma tendência já existente difere totalmente do fato de “criar” uma nova tendência. O insucesso gerado pela implantação de uma nova tecnologia no mercado, e esta não corresponder às expectativas, resulta em perda de credibilidade, e reverter tal situação é uma tarefa árdua, enquanto que o primeiro caso pode se enquadrar em argumentos do tipo “não foi possível tornar melhor o que já é bom”, entre outras colocações que justifiquem os erros de cálculo da engenharia de desenvolvimento. Nos gráficos abaixo percebemos alguns diferenciais que são preponderantes na hora da compra:




No caso do motor Sigma 1.6 Flex do New Fiesta Automático, o mesmo ganha maior potência com um comando de válvulas variáveis, permitindo um ganho de potência de aproximadamente 15 cavalos em relação ao motor do Fiesta fabricado no México. O resultado é que o carro da Ford, fabricado no Brasil, e com transmissão meramente automática, conta com o motor mais potente do segmento, com 130 cavalos.

Os números de consumo abaixo, coletados pelo INMETRO, colocam o New Fiesta 1.6, tanto em configuração mecânica quanto automática, como o carro mais econômico do segmento – o que não deixa de surpreender, devido ao fato de dispor também do motor mais potente.

Na próxima edição falaremos mais sobre esta importante tecnologia, incluindo detalhes de seu funcionamento e as perspectivas futuras.

Fonte: Oficina Brasil. Por: Leandro Almendro Zamaro

Deixe aqui seu comentário...