Conheça as práticas incorretas nos serviços de manutenção e reparo do câmbio automático

Em nosso dia a dia, recebemos informações de que alguns técnicos com relativamente pouca experiência, são bens sucedidos em seu trabalho com caixas automáticas, enquanto que outros, aparentemente mais experientes, têm, repetidas vezes, enfrentado retornos na oficina, mesmo com vinte anos ou mais no mercado.

A estatística demonstra que somente dez por cento dos técnicos reparadores que se formam no curso de transmissão automática inicial são bem sucedidos em sua nova empreitada.

Devemos nos perguntar: 

• Por que isto acontece? É a transmissão automática um item tão complexo assim, estando seu reparo sujeito a diversas variáveis impossíveis de serem previstas, que deixam o técnico reparador em posição delicada junto ao cliente?
• O reparo da caixa automática somente deve ser executado por “gênios” da mecânica, com QI elevado, e em uma oficina otimamente aparelhada, com escâneres e ferramentas de última geração?
• Está o estudo da transmissão automática tão longe assim do técnico mediano, fora de seu orçamento e de seu alcance intelectual?
• Faltam peças e serviços de qualidade no mercado, impedindo assim que o técnico realize seu serviço com qualidade?
Vamos considerar alguns itens que temos observado, e que, no nosso entender, impedem que muitos técnicos sejam bem sucedidos nesta área da mecânica.

1. Os técnicos não pensam na transmissão automática como um “conjunto”, e sim na transmissão em si.
Quando efetuam um reparo, somente reformam a transmissão, deixando de lado o conversor de torque, as mangueiras de arrefecimento da transmissão e o trocador de calor, entre outros.

Devemos lembrar que qualquer item deixado de lado irá prejudicar enormemente a vida útil da transmissão, ocasionando retornos indesejados e gastos adicionais ao cliente e ao técnico também. Uma fita de lock-up desgastada, sujeira e limalhas internas, vedadores e buchas gastas no conversor diminuem o desempenho e prejudicam a vida útil da transmissão. 

Apesar de esta afirmação ser evidente, muitos técnicos que se dizem “experientes” têm deixado de lado estes cuidados. Em seu trabalho, deixam de limpar e revisar o conversor de torque e outros itens relacionados, seja por economia de tempo ou de dinheiro, e se safam bem com esta prática.

Lembre-se: a reputação do técnico está em jogo, e um retorno do veículo coloca em cheque sua capacidade de diagnóstico e execução do serviço.

2. O técnico insiste em querer economizar para o cliente, e neste caso, coloca fluido não recomendado (mais barato). 
Existem vários fluidos de transmissão automática (ATF) no mercado, e muitos deles são tidos como fluidos “mágicos”, sendo aceitos pela maioria das transmissões. Quem os utiliza e quem os recomenda não se preocupa em nenhum momento com os estudos e testes das montadoras, e nem com a vida útil das transmissões sob seus cuidados. Esta prática tem trazido situações embaraçosas para alguns “técnicos” e “instrutores” de caixas automáticas no decorrer do tempo. 

O técnico que se preocupa com a qualidade de seu trabalho e a satisfação de seu cliente não pode, de maneira alguma, recomendar e/ou utilizar fluidos que não são indicados pelas montadoras, pois isto implica em riscos que ele não deveria assumir.

Tomamos conhecimento de casos em que o cliente, em um primeiro momento, fica feliz quando o serviço fica mais em conta, pela utilização de um fluido mais barato, embora não indicado em sua transmissão. Porém, após certo tempo, processa judicialmente o técnico reparador pelos danos causados à sua transmissão. Não adianta, neste caso, dizer ao juiz que o fluido foi utilizado por indicação do próprio cliente, pois o responsável técnico perante a sociedade é o reparador.

3. Utilização de peças e materiais mais baratos.
Da mesma maneira, alguns técnicos utilizam peças de baixa qualidade na montagem das transmissões, devido ao menor preço, porém esquecem que um anel de vedação fora de medida, um papel de junta de qualidade inferior ou peças faltantes nos kits implicam em retirada da transmissão duas, três ou mais vezes, e, neste caso, o prejuízo é certo, com o cliente na porta da oficina.

Em se tratando de transmissões automáticas, a qualidade deve sempre vir em primeiro, segundo e terceiro lugares.

4. Realização de reparos com prazo apertado.
Muitas vezes, o cliente força o técnico a realizar o serviço dentro do prazo que o cliente deseja, e não no tempo necessário para a realização do serviço com qualidade, e sabemos que pressa e transmissão automática não combinam. É necessário que o técnico estabeleça um prazo razoável para o reparo com qualidade, fazendo com que o cliente respeite isto. A correria nunca gerou qualidade, principalmente em se tratando da revisão de um corpo de válvulas, um item bastante complexo e que precisa de total atenção.

A utilização de literatura técnica é fundamental para a qualidade do trabalho

5. Desmontagem e montagem sem a utilização de manuais técnicos.
É muito comum ouvirmos dos “técnicos” afirmações como “Eu não preciso de manuais”, ou “Isto é coisa de técnico sem experiência”.

Isto denota um problema cultural, no qual o técnico e mesmo o cliente, quando olha outro técnico com alguma literatura técnica na mão, pensa: “Aquele camarada está aprendendo no carro e precisa ler alguma coisa para saber como funciona”.

Nada mais errado do que este pensamento. Nos veículos modernos, se o técnico não apoiar seu diagnóstico em alguma informação confiável, é quase certeza que cometerá algum erro do qual se arrependerá mais tarde, sem contar o tempo perdido e o risco de colocar um novo defeito no veículo.

A utilização de manuais e diagramas auxilia em muito o técnico no diagnóstico e na execução de um serviço planejado e perfeito.

O técnico reparador de transmissões automáticas deve sempre saber separar as coisas. O dever do técnico é realizar o melhor serviço possível, satisfazendo assim seu cliente. Para isto, deve sempre utilizar o fluido indicado, utilizar manuais e diagramas no reparo, reparar o sistema e não somente a transmissão e utilizar a peça de melhor qualidade em seu trabalho, para que sua garantia seja efetiva.

O dever do cliente é exigir o melhor serviço possível e pagar por isto. O cliente que não entender este ponto, e desejar somente um serviço barato, não interessa para a oficina.

Fonte: Oficina Brasil. Por: Carlos Napoletano Neto.

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