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Análises e reparos em sistemas de air bag, parte final: a prática responsável na reparação

ATUAR COM AIR BAGS REQUER CONHECIMENTO E RESPONSABILIDADE

Nas edições anteriores abordamos assuntos referentes ao funcionamento dos sistemas de Air bag, suas peculiaridades, procedimentos de manuseio, montagem e desmontagem, além de procedimentos necessários que garantam a segurança dos Reparadores durante as ações e garantam a conformidade do sistema.

Nessa terceira e última parte, nada mais coerente que abordarmos procedimentos que garantam um Serviço realizado com o máximo de excelência e eficácia, em caso de situações reais de funcionamento. Afinal de contas estamos considerando uma tecnologia de altíssima precisão, e voltada a proteger vidas de condutores e passageiros, cujos testes práticos preliminares não são permitidos, uma vez que seu projeto, baseado em conceitos de reações químicas que geram explosões, assegura a perfeita funcionalidade, porém apenas uma única vez. É como um Fabricante de armamento militar garantir a eficácia de um determinado míssil, mas nunca tê-lo detonado.

Voltando à nossa realidade automotiva, quais os princípios obrigatórios a serem seguidos por um Profissional Reparador, quando se deparar, em sua Oficina, com problemas de Air bag?

Primeiramente ter, no mínimo, conhecimento técnico sobre o Sistema que o constitui, e principais características de funcionamento relacionadas aos Sensores e Atuadores que constituem a Arquitetura Eletrônica de uma forma geral. Conhecer, mesmo que superficialmente, as estratégias que o Módulo utiliza para ativar os variados sistemas pirotécnicos existentes, enfim, buscar especializar-se continuamente sobre o assunto, e com isso manter-se atualizado às constantes inovações tecnológicas do mercado.

Em segundo lugar, buscar aprendizado com os mais experientes no assunto, escutando, observando e quando preciso questionando-os, a fim de que tais dúvidas não surjam durante a execução de um retrabalho, o que poderia impulsionar o Reparador a tomar uma decisão errada por conta própria.

Em terceiro lugar, é importante que o Profissional da Reparação, tenha disponível Documentos e Normas Técnicas que tratem a metodologia deste assunto em particular. Segundo o IQA – Instituto da Qualidade Automotiva, organismo de Certificação acreditado pela CGCRE (Coordenação Geral de Acreditação) do INMETRO, uma correta reparação dos Sistemas de Air bag, requer a utilização da Norma NBR 14828/ 2002 – Procedimentos de Segurança para Manutenção em Veículos Equipados com Bolsa Inflável (Air bag). No caso de Concessionárias Autorizadas, caso a Montadora representada adote seus próprios procedimentos na realização de Reparos, a mesma deve disponibilizar tal material às suas Unidades, incluindo-se as atualizações posteriores. Na verdade tratam-se de Documentos da Qualidade, contendo Procedimentos legais e de acordo com Normas Vigentes, e segui-los, rigorosamente, assegura ao Profissional garantir, com segurança e responsabilidade, a conformidade dos serviços realizados.

ANÁLISE E RESOLUÇÕES DE PROBLEMAS

Um sistema de Air bag, tratando-se de um sistema pirotécnico de detonação, foge às características de uma tecnologia a ser analisada minuciosamente, ainda mais considerando-se o uso de Equipamentos Metrológicos que utilizamos em demais análises eletroeletrônicas do sistema veicular. Na verdade se pensarmos em comprovar, de maneira direta, se um dos itens constituintes do sistema apresenta conformidade, idealizarmos a utilização de algum equipamento de medição é praticamente instantâneo. Porém, o princípio utilizado em medições de Resistências através de um Ôhmimetro, por exemplo, é justamente o mesmo utilizado para ativar a detonação de uma Bolsa ou a retração de um Cinto, por exemplo.  Ou seja, estaríamos proporcionando condições reais para a ativação do sistema. Seria como testarmos uma “artilharia antiaérea” através de testes práticos, ou seja, realizando lançamentos a 2000 metros de altitude em direção ao solo. 

Assim sendo, torna-se conveniente ao Reparador adotar novos hábitos durante a busca pela causa de um problema, e invés de caminhar diretamente em direção à sua solução, cercá-lo de forma cuidadosa, e aplicar uma metodologia diferenciada em sua análise, baseada na resposta do Sistema em relação às diferentes situações envolvendo um possível item avariado. 

Na maioria das vezes tudo se inicia com uma luz indicadora no Painel de Instrumentos do Veículo. Ao chegar às mãos de um Profissional da Reparação, com auxílio de um Scanner, é possível verificar as falhas acusadas pelo sistema, e também verificar parâmetros no bloco de valores, quando existentes.

Um Sistema de Air bag trata-se de uma das tecnologias embarcadas de mais fácil análise, já que cada Sensor, Bolsa ou Cinto são tratados pela Central de Gerenciamento de forma individual, ou seja, a conformidade de um dispositivo independe das condições de outro dispositivo. 

ANÁLISE DA RESPOSTA DO SISTEMA SOB CONDIÇÕES CONTRÁRIAS AO PROBLEMA

Trata-se de uma técnica na qual cria-se condições contrárias à avaria detectada, a fim de verificar se a Central de Gerenciamento consegue compreender a nova não-conformidade, e dessa forma torna possível ao Reparador chegar à descoberta  do agente causador do problema.

Exemplo 01: Suponha que a memória de erros do Sistema de Air bag acuse a seguinte mensagem:

“Dispositivo N-95 (Bolsa situada no Volante) curto-circuito a massa”

Tal mensagem refere-se a um provável decréscimo de resistência no circuito referente ao Air bag do Motorista. Uma maneira de verificar se o problema está na Bolsa ou até mesmo no Disco de Contato (Cinta condutora) instalado na coluna de direção, é desconectando um a um esses itens e verificando se o Sistema, com o auxílio de um Scanner, ao invés de permanecer apresentando a mensagem de curto circuito a massa, passa a apresentar a mensagem:

“Dispositivo N-95 (Bolsa situada no volante) com ausência de sinal”

Caso isso ocorra, significa que o restante do Sistema apresenta conformidade, e a peça desconectada trata-se da real causa do problema.

Exemplo 02: A fim de que o Reparador compreenda com exatidão este método de análise, vale citar mais um exemplo de avaria detectada:

“Dispositivo N-151 (Cinto de segurança Dianteiro Esquerdo) com ausência de sinal”

Esta mensagem refere-se ao fato que a Central de Gerenciamento não está recebendo o retorno dos sinais enviados ao cinto de segurança, ou seja, pode significar uma provável interrupção do seu filamento interno para passagem de corrente. A maneira de criar uma situação oposta à avaria detectada é tentar simular o problema inverso, ou seja, desconectando o Conector do Cinto de Segurança e curto-circuitando seus terminais com um “jumper”. Após isso, com o auxílio do Scanner, verificar se a mensagem de erro foi modificada para: 

“Dispositivo N-151 (Cinto de segurança Dianteiro Esquerdo) com sinal alto”.

Isso prova que o Sistema percebeu com exatidão a variação de resistência no circuito do Cinto propriamente dito, e dessa forma conclui-se que a causa do problema está na conexão do mesmo ou na própria peça.

Entretanto é necessário atentar para o fato que, a maioria dos conectores de ligação às Bolsas e Cintos, quando destravada para ser desconectada, tende a curto circuitar seus terminais a fim de evitar picos de tensão durante uma nova conexão, portanto antes de realizar os teste mencionados, verificar se os conectores estão com suas devidas trava fixadas, a fim de que não haja falsas conclusões.” 

 ATENÇÃO: Tratando-se de Sensores de Colisão ou Crash-Sensors alguns procedimentos devem ser diferentes do método usado em Bolsas e Cintos Retráteis.

1) Diante de uma mensagem de erro acusando um determinado Sensor possivelmente em curto-circuito a massa, a desconexão do mesmo pode ser realizada, sem problemas, com a finalidade de simular uma falha referente à falta de sinal.

2) Entretanto, quando a mensagem de erro acusar que um dado Sensor apresenta falta ou deficiência de sinal, NUNCA estabelecer um contato fechado entre seus terminais (jumper), já que a Central de Gerenciamento pode interpretar como um envio de sinal indicativo de colisão. Nesse caso o teste pode ser realizado ligando-se um dos terminais do conector à massa do veículo, e verificando com o Scanner se o Sistema acusa uma falha referente a curto-circuito a massa.

Finalmente, em situações nas quais sejam acusadas pelo Scanner mensagens de erro relacionadas à Central de Gerenciamento, ou falha de comunicação com a mesma, primeiramente assegure-se que o próprio Módulo, as Bolsas, Cintos Retráteis e Sensores estejam desconectados. Após isso, com a bateria conectada, verificar com um multímetro se a alimentação na Central está em conformidade, e também a integridade dos protocolos de comunicação que chegam ao seu conector. Esses procedimentos são os únicos permitidos, e qualquer outro tipo de medição pode colocar em risco a integridade do sistema interno e seu perfeito funcionamento, em caso de uma possível colisão.

PROCEDIMENTOS QUE GARANTEM A QUALIDADE DO RETRABALHO

Realizar qualquer análise e retrabalho no cabeamento, principalmente envolvendo medições com Multímetros, Canetas de Polaridade e Osciloscópios, com o Sistema de Air bag alimentado ou com sua Central de Gerenciamento, Sensores, Bolsas e Cintos de Segurança conectados, representa riscos desnecessário ao sistema, que pode ser ativado e tornar-se obsoleto, além do risco à integridade física do próprio Reparador, já que existe grande possibilidade do mesmo sofrer com o impacto de uma bolsa inflada indevidamente.

Portanto antes de iniciar qualquer análise no cabeamento do Sistema de Air bag do Veículo, desligar o Borne negativo da Bateria, e aguardar por pelo menos 20 minutos. Após isso desconectar a Central de Gerenciamento do Air bag e, posteriormente, todos outros Sensores e Atuadores. 

Somente após tais procedimentos, iniciar uma possível análise, incluindo medições de continuidade entre as extremidades dos cabos. Nunca perfurar ou rasgar a isolação dos fios, uma vez que tais ações pode causar danos aos seus filamentos internos, alteração em suas características condutivas, além de torná-los susceptíveis a possíveis interferências eletromagnéticas.

Em caso de rompimento parcial ou total de um ou mais cabos do Sistema, as Montadoras recomendam a substituição do respectivo ramal por completo, ao invés de repará-los com emendas, inclusive à base de soldas de estanho. Tal recomendação é totalmente justificável, uma vez que o Sistema de Air bag atua com sinais de baixa potência e alta velocidade, e uma provável emenda representaria uma resistência adicional neste circuito, ou seja, uma possível atenuação dos sinais enviados, dificultando sua compreensão pelo sistema, além do sério risco em causar um provável atraso na comunicação entre sensores e atuadores, razões que contrariam os princípios de uma tecnologia voltada exclusivamente para a segurança de condutores e passageiros, para a qual funcionar com precisão e no momento exato são fatores primordiais.

Também recomenda-se manter as características originais em relação aos cabos que constituem o circuito elétrico do Sistema de Air bag. Caso haja necessidade de substituir os terminais de contato, recomenda-se que seja por componentes com as mesmas características, inclusive em relação ao fato que alguns são revestidos por uma fina camada de ouro, o que tende a melhorar a transmissão de sinais elétricos. Também é importante manter a originalidade dos cabos trançados, já que este detalhe é de grande importância para prevenir o sistema contra Perturbações Eletromagnéticas que podem, inclusive, induzir falsas informações a serem enviadas à Central de Gerenciamento, e como consequência, causar uma ativação desnecessária do sistema. Uma razão prática para a importância dos cabos de um mesmo circuito serem trançados resume-se ao fato que havendo um Campo Eletromagnético, causado pela influência de outros cabos paralelos ou da própria carroceria, tal perturbação afete os dois condutores com a mesma intensidade, minimizando riscos de surgir duas diferentes tensões induzidas nos mesmos, e como consequência, uma esporádica circulação de corrente, que a Central de Gerenciamento poderia compreender como um aviso de colisão.

Entretanto, mesmo os pares de cabos trançados são vulneráveis aos Ruídos Eletromagnéticos, assim é importante atenção em alguns detalhes, principalmente tratando-se da instalação de Acessórios com potências elevadas, como Sistemas de Som Automotivo. Nesse caso, recomenda-se que o cabeamento de tais Acessórios tenham trajetos distintos em relação aos ramais relacionados ao Sistema de Air bag.

Constatar a não conformidade de uma peça significa tentar provar o improvável – Primeiramente, é sempre importante afirmar que realizar qualquer tipo de análise de conformidade em equipamentos relacionado ao Sistema de Air bag, principalmente tratando-se de Medições com Multímetro ou qualquer outro Equipamento Metrológico, além de desnecessário, é algo impreciso, não conclusivo, além de altamente perigoso.

Um Sistema de Air bag trata-se de uma tecnologia altamente complexa e precisa, porém com exceção dos fabricantes, que utilizam alta tecnologia para verificação de conformidade, um Profissional Reparador, ao realizar testes práticos a fim de verificar a conformidade funcional de peças pertencentes a esse Sistema, nada pode concluir, já que não existe uma faixa de parâmetros metrológicos aceitáveis, estipulada e divulgada pelo próprio Fabricante para conhecimento dos Reparadores Veiculares, ou seja, significa um alto risco desnecessário que não provaria absolutamente nada.

Fonte: Oficina Brasil. Por: Leandro Almendro Zamaro.

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